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Mulheres Vivas na política local

Movimento reacende luta contra a violência de gênero em Tiradentes.


Yane Cerqueira leva a carta do Movimento à Câmara./Foto: Daniela Mendes
Yane Cerqueira leva a carta do Movimento à Câmara./Foto: Daniela Mendes

Ontem, dia 15, em Tiradentes, o Movimento Mulheres Vivas foi até a Câmara Municipal entregar uma carta para ser assinada pelas vereadoras e vereadores que se comprometam com políticas públicas que previnam o feminicídio, enfrentem a violência doméstica e condenem a misoginia na cidade. Representando cerca de 30 mulheres, Yane Cerqueira leu o discurso oficial do grupo, que você confere na íntegra abaixo.



Discurso de Yane e Carta do Movimento na íntegra.

O Movimento Nacional Mulheres Vivas é uma mobilização que ganhou força em todo o Brasil, reunindo pessoas e organizações civis em protestos e atos públicos para denunciar o aumento da violência de gênero e exigir ações efetivas do poder público contra o feminicídio e outras formas de violência contra as mulheres.


A mobilização, que reuniu atos em dezenas de capitais e estados no último dia 7, trouxe à tona a urgência de políticas públicas, proteção imediata, justiça célere e a responsabilização dos agressores e do Estado pela segurança das mulheres.


Imagem cedida pelo grupo que organizou o movimento/ Foto: Thais Andresa
Imagem cedida pelo grupo que organizou o movimento/ Foto: Thais Andresa

Tiradentes aderiu a esse movimento nacional. Embora o número de pessoas nas ruas históricas no dia 7 tenha sido pequeno, o ato foi suficiente para reacender as atividades dos grupos feministas na cidade. Agora, elas prometem começar uma luta contínua contra a misoginia e a violência contra a mulher em nível local. Até o momento, o município sequer dispõe de um diagnóstico oficial sobre o problema na cidade, o que reforça a necessidade de ação organizada das mulheres.


Vozes femininas em debate



A Casa estava cheia de mulheres que trouxeram pautas diversas e relevantes durante a fala da comunidade. A arquiteta Tatiana Soledade fez um chamado às autoridades para que se atentem ao contrassenso de se dedicar ao turismo, setor vital para Tiradentes, ao mesmo tempo em que se permite que a especulação imobiliária avance sobre áreas públicas e de preservação natural.



A coordenadora do Instituto Passos do Vale, Maria Cecília Souza Vale, protagonizou um momento tenso ao pedir à Câmara que os repasses prometidos pela prefeitura ao projeto sejam cumpridos, ressaltando a importância de apoio institucional para iniciativas que beneficiam a comunidade.



Janaína Ferreira, presidente da subsede do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais, levantou um problema que afeta os professores de apoio à educação inclusiva: a Câmara local criou 30 cargos para profissionais de apoio sem orçamento definido. Com isso, ela denunciou a intenção de substituir o Professor de Apoio Escolar (que tem formação pedagógica e atua no suporte acadêmico e na adaptação de conteúdo) pelo Auxiliar de Apoio (que foca no cuidado cotidiano sem função pedagógica direta).


A mudança, além de contrariar os decretos nacionais que regulamentam a função, ameaça a qualidade da educação para alunos com deficiência.


Construindo futuro com presença feminina



Ao longo do encontro, foi mencionada várias vezes a predominância de homens nos quadros ostensivos de presidentes da Câmara Municipal (à exceção de uma gestão liderada por Luciana Venturini) na parede do salão como sintoma da falta de igualdade de gênero em cargos de liderança municipal. Justo naquele dia em que tomaria posse a nova mesa diretora de 2026 (agora sem nenhuma mulher).


Quando as mulheres tomam a palavra, transformam não apenas os discursos, mas também as estruturas que os cercam. E foi com essa força, que as mulheres de Tiradentes mostraram ontem que participar da construção de políticas públicas é semear vidas, resistências e futuros onde todas possam permanecer vivas e livres do medo. E para que tanta luta dê frutos, é preciso que os homens reconheçam seus privilégios e se tornem aliados DE FATO e não apenas no discurso

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