Imaginar é soberano em Tiradentes
- Daniela Mendes
- há 3 dias
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A imaginação como soberania marcou a abertura da 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes.

A 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes teve início ontem, 23, reafirmando seu papel como evento que marca a abertura do calendário audiovisual brasileiro. Totalmente gratuita, numa época de euforia do cinema nacional e local, o evento reuniu realizadores, críticos, estudantes e público em geral em sua primeira noite. Neste ano, a edição tem 137 filmes em pré-estreia, além de debates, encontros formativos, atividades de mercado e uma intensa programação artística espalhada pela cidade histórica ao longo de nove dias.
O eixo curatorial da vigésima nona edição é “Soberania Imaginativa”, conceito que atravessa tanto a seleção de filmes quanto a concepção simbólica da abertura. A cerimônia aconteceu no Cine-Tenda, no Largo da Rodoviária, como um rito coletivo de criação e pertencimento.

Dirigida por Chico de Paula e Lira Ribas, a performance audiovisual de abertura estabeleceu um diálogo direto com a Folia de Reis, uma das manifestações mais emblemáticas da cultura popular brasileira. O percurso cênico incorporou cantos, gestos, imagens e deslocamentos entre a rua e o interior da tenda, articulando o sagrado e o profano, o religioso e o festivo, como campos de potência criativa. Personagens tradicionais da folia, como o palhaço, a pastorinha, o mestre e os cantadores, assumiram o papel de portadores das boas-novas e visionários da estrela, simbolizando a soberania como capacidade de criação, subversão e reinvenção cultural.
A apresentação reuniu também os artistas Sitaram Custódio, Júlia Medeiros, Nath Rodrigues e Glaw Nader na parte instrumental e vocal, além da DJ Fê Linz, do multi-instrumentista Camilo Gan, da folclorista Dadá Diniz, do videomaker Gabriel Fix e da atriz Julia Bertolino, compondo uma abertura marcada pela ocupação do espaço público e pela ideia de movimento contínuo.
Ainda na noite de abertura, a Mostra prestou homenagem à atriz, roteirista e diretora Karine Teles, uma das figuras centrais do cinema brasileiro contemporâneo. Depois do espetáculo, foi a hora da pré-estreia mundial, do curta “O Fantasma da Ópera”, de Julio Bressane, codirigido por Rodrigo Lima. O encerramento se deu no Cine-Lounge com os shows de Nath Rodrigues e DJ Davi Maurity, reforçando a dimensão festiva do evento e sua vocação para o encontro entre cinema, música e experiência coletiva.
Ao ocupar Tiradentes com filmes, performances e rituais contemporâneos, a abertura da 29ª Mostra reafirmou o evento como um espaço onde o cinema brasileiro pensa a si mesmo — e onde imaginar segue sendo um gesto de soberania.









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