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Fliti é oportunidade para descobrir escritoras e leituras

Destacamos a trajetória da premiada escritora Mariana Salomão Carrara, indicamos seus livros e reunimos falas da autora durante a Feira Literária Internacional de Tiradentes.


Maria Salomão Carrara entrevistada por Iara Biderman. Foto/Daniela Mendes
Maria Salomão Carrara entrevistada por Iara Biderman. Foto/Daniela Mendes

Começou no dia 6 de maio a 6ª edição da Feira Literária Internacional de Tiradentes, que segue até domingo,10, reunindo escritores, lançamentos de livros, mesas de conversa e leitores de diferentes regiões do país. Em meio a tantas programações, uma das experiências mais marcantes de uma feira literária costuma ser justamente descobrir novos autores, encontrar livros inesperados e ouvir quem escreve falar sobre o próprio processo criativo.


Na cobertura da Revista Mana, vamos sugerir algumas escritoras contemporâneas que passaram pela programação do evento. E começamos com Mariana Salomão Carrara, autora que vem se consolidando através de grandes premiações nacionais.


Formada em Direito pela Universidade de São Paulo e defensora pública há 15 anos, Mariana construiu uma obra marcada pela escuta das fragilidades humanas, pelas tensões familiares e pela observação cotidiana da vida social brasileira. A autora ganhou projeção nacional com "Se Deus me chamar, eu não vou", finalista do Prêmio Jabuti em 2020.


Nos últimos anos, venceu duas vezes seguidas o Prêmio São Paulo de Literatura: em 2023, com Não fossem as sílabas do sábado, e em 2025, com "A árvore mais sozinha do mundo".


Durante a conversa na Flitti com a jornalista e escritora Iara Biderman, Mariana falou sobre o impacto da Defensoria Pública em sua visão de mundo e a relação entre literatura e escuta. Para ela, o serviço público revelou histórias humanas que atravessam seus romances, não necessariamente como reprodução de casos reais, mas como percepção das desigualdades e das dores cotidianas.

“Eu costumo dizer que, como eu sou defensora há 15 anos, a Defensoria me informou de caráter, de visão de mundo. Então é inevitável que ela entre nos livros.”

A autora também afirmou que a escrita apareceu cedo em sua vida, ainda na infância, quando descobriu o prazer de construir frases e inventar histórias. Na contramão da escrita biográfica, para ela o interessante é criar vozes distantes de si mesma, inclusive narradores não humanos, como acontece em "A árvore mais sozinha do mundo".

“Eu acho que alcanço mais a verdade me jogando muito nas possibilidades de uma outra pessoa do que dentro de uma verdade que já aconteceu.”

Apesar deste distanciamento do eu, ela revelou um caso peculiar da ideia de um livro. Mariana contou que a ideia de “É sempre a hora da nossa morte amém” surgiu a partir de uma amiga próxima. Segundo a autora, ela costumava alertá-la constantemente sobre perigos cotidianos, como andar de bicicleta ou tirar fotos perto de penhascos. “Você tem que fazer um livro sobre todas as formas que você acha que eu devo morrer”, teria dito a amiga. A partir da brincadeira, nasceu o título e, anos depois, o romance.


Livros de Mariana Salomão Carrara


  • Idílico (2007)

  • Delicada uma de nós (2015)

  • Fadas e copos no canto da casa (2017)

  • Alice Bordô Maravilha (2019)

  • Se Deus me chamar, eu não vou (2019)

  • É sempre a hora da nossa morte amém (2021)

  • Não fossem as sílabas do sábado (2022)

  • A árvore mais sozinha do mundo (2024)

  • Sabor paciência (2025)


Para quem passa pela feira em busca de novas leituras, Mariana é uma autora que atravessa temas como solidão, memória, luto, violência, humor e deslocamento sem abrir mão da delicadeza da linguagem. Uma escrita que transforma o cotidiano em algo estranho, íntimo e profundamente humano.






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