As guardiãs aladas da Serra
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Será lançado amanhã, 12, o livro “Libélulas da Serra de São José”. Obra é resultado de dez anos de trabalho que fomenta a educação ambiental.

Insetos fulgurantes, com corpos esbeltos e asas rendilhadas encantam qualquer amante da natureza que visita o ecossistema da Serra de São José. Mas colecionar por dez anos estas maravilhas em fotos e depois fazer uma curadoria minuciosa sobre estas belezas, é para poucos. O arquiteto e fotógrafo Luiz Cruz está entre eles e mostra amanhã, 12, às 17h, no Auditório da Câmara Municipal de Vereadores de Santa Cruz, o resultado.
A publicação “Libélulas da Serra de São José” nasce de um trabalho de campo prolongado. Durante mais de dez anos, Luiz percorreu trilhas e áreas úmidas em busca de registros capazes de revelar a diversidade desses insetos. “Circulei muitas vezes pelas trilhas da serra e pelos diferentes ambientes. É um trabalho que exige tempo e paciência para conseguir bons registros”, revela.
O interesse pelas libélulas começou após a chegada de pesquisadores estrangeiros na região. “Meu interesse começou quando os primeiros especialistas vieram estudar as libélulas da serra. Um deles foi o biólogo alemão Werner Piper. A partir daí quis conhecer mais e fotografar esses animais”, lembra.
A obra reúne fotografia e educação ambiental. O resultado é um livro com 128 espécies registradas em um levantamento publicado na revista científica Notulae odonatologicae, da International Odonatological Foundation.
O projeto também integra uma iniciativa de educação patrimonial e ambiental desenvolvida em Santa Cruz de Minas. E para garantir rigor científico, o professor Marcos Magalhães de Souza, do Instituto Federal do Sul de Minas Gerais, colaborou na identificação das espécies apresentadas.
Lembramos que em Santa Cruz de Minas, Prados e Tiradentes se localiza o Refúgio Estadual de Vida Silvestre Libélulas da Serra de São José. São mais de três mil hectares com rica biodversidade formada por Mata Atlântica, campos rupestres e Cerrado. Um ambiente perfeito para pesquisa e educação ambiental.
Indicadoras da qualidade da água
As libélulas, em especial, funcionam como indicadoras ambientais. A presença delas costuma sinalizar qualidade da água e equilíbrio ecológico. “Quanto mais libélulas existem em um lugar, maior tende a ser a qualidade das águas e o equilíbrio ambiental”, explica Cruz.
Além disso, ao atuarem como predadores naturais acabam protegendo a espécie humana. “Elas ajudam no controle de outras espécies e predam inclusive as larvas do mosquito da dengue”, afirma em referência ao mosquito Aedes aegypti.
Numa conversa com a Revista Mana, Luiz dá um spoiler: entre as espécies citadas no livro está a Heteragrion tiradentense, uma representante da terrinha rara e pouco conhecida. Esta libélula recebeu esse nome por ter sido identificada no sopé da Serra de São José e já integra listas de espécies ameaçadas.
Entre ciência e observação paciente
Fotografar libélulas exige persistência. Os animais possuem voo rápido e pousos breves. “Cada fotografia em boa resolução é uma conquista. Elas voam muito rápido e param por pouco tempo”, conta Cruz. Por isso, para alcançar o resultado final, o fotógrafo construiu um grande acervo. “Precisei reunir mais de dez mil imagens para selecionar as fotografias que entrariam no livro”, diz.
A publicação também incorpora trabalhos artísticos de estudantes da Escola Estadual Amélia Passos, ampliando o diálogo entre ciência, educação e cultura local. Cruz também acredita que a presença das libélulas pode incentivar formas sustentáveis de turismo. “Elas enriquecem nossa biodiversidade e podem se tornar um atrativo para o turismo ecológico na Serra de São José, desde que haja planejamento e proteção do meio ambiente”, sugere.
Serviço
O lançamento do livro “Libélulas da Serra de São José” ocorre quarta-feira, 12 de março, às 19h, no Auditório da Câmara Municipal de Santa Cruz de Minas.
A organização pede confirmação de presença até 11 de março, pelo telefone (32) 99995-0648.




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